Convivendo com Endometriose

A complexidade com que se apresenta o corpo da mulher, dada uma rotina repleta de afazeres, característica da mulher moderna, sujeita-a fragilmente a diversos problemas de saúde, entre eles os ginecológicos, indiferente ao quadro apresentado, que pode ser de gravidade moderada à crônica são inevitáveis os efeitos à sensível integridade feminina, corpo, mente e espírito. Diante da diversidade de doenças existentes, vou me ater a Endometriose.

Esta palavra quando mencionada pelos profissionais de saúde às mulheres, é motivo de medo, dúvidas e sentimento de impotência. Isso se deve ao fato de ser uma doença sem causa comprovada, intrigante, com direito a fundações e associações, divaga ainda somente sobre hipóteses e diagnósticos os quais ressaltam a infertilidade como agravante. Somente isso já é o bastante para acabar com muitas noites de sono de uma parcela significativa das mulheres no mundo todo.

Estatisticamente, sabe-se que cerca de 10% da população feminina com idade entre 25 à 50 anos no mundo todo sofrem deste mal. O que elas têm em comum, são unicamente os sintomas, dor e infertilidade. Estudos afirmam que, “Endometriose é uma doença que acomete mulheres em período reprodutivo, que consiste na presença de endométrio em locais fora do útero”, fonte.

Endométrio que é a camada que reveste internamente o útero e recebe a fertilização, renovando-se a cada menstruação. Este tecido, também chamado de foco, é encontrados com frequência na região sobre os ovários, em alguns casos se desenvolvem na região abdominal, como na superfície externa do intestino grosso e delgado, ureteres e na bexiga, podem aparecer focos em cicatrizes cirúrgicas presentes nessa região. Este tecido funciona fora, como se estivessem dentro do útero, ocasionando hemorragias durante a menstruação, em últimos casos podem afetar ou inferir no funcionamento dos órgãos citados. Não é uma doença transmissível nem contagiosa, mas também não há prevenção para ela.

Em geral os sintomas são, dores na região pélvica, cólicas intensas e irregularidades no ciclo menstrual, câimbras abdominais, dores na relação sexual e infertilidade. Conforme dados coletados: 20% das mulheres tem dor, 60% tem dor e infertilidade e 20% somente infertilidade. A incoerência entre sintomas e estágio da doença pode existir, logo, podem aparecer muitos focos, poucos sintomas e um quadro avançado de doença, ou ainda, poucos focos, muitos sintomas num estágio inicial de doença. É comum entre as mulheres que procuram auxílio médico, apresentarem cansaço, alterações de humor, depressão e tensão pré-menstrual, em decorrência do desgaste físico e mental, ocasionado pelas dores contínuas, desconforto abdominal e até problemas conjugais.

Endometriose

As causas, ainda são uma grande incógnita para todos os especialistas da área. Teorias somente revelam que células da camada interna do útero são eliminadas a cada menstruação e se alocam na região abdominal. Numa hipótese mais ousada, sugerem ser de origem hereditária. O mais preocupante é que há poucos recursos que podem comprovar a real presença da doença bem como a quadro em que ela pode se encontrar, normalmente são realizados vários exames ginecológicos entre eles o ultra – som endovaginal e outros exames que descartam outros tipos de doenças, além do exame do toque, este que deve merecer atenção especial por parte do profissional, considerando sempre os sintomas comuns, depois disso é passível concluir que pode ser Endometriose, mas isso só é confirmado através de procedimentos com incisão para maior precisão e reversão do quadro.

Depois de diagnosticado cuidadosamente o caso, o tratamento a ser seguido, deve partir de uma decisão entre paciente e médico de forma consciente, com atenção especial às mulheres que querem engravidar. Dentre os procedimentos, há as cirurgias, sendo a mais comum a videolaparoscopia, a qual requer de anestesia geral, e a paciente recebe duas a três incisões sendo uma delas logo abaixo do umbigo, após são “queimados” os focos encontrados. Também é comum o uso de medicamentos como pílulas anticoncepcionais contínuas, implante ou DIU. Nestes casos como forma de prevenir a proliferação e reinstalação do tecido, pois ocorre a interrupção do ciclo menstrual. Não havendo sangramentos não há refluxo, ou seja, o sangue não sobe pelas trompas evitando assim sua instalação em outros pontos e órgãos. Ainda há um dilema sobre o uso de contraceptivos contínuos, e isso é aceitável diante da relação evolução científica e cultura tradicional, mas há outras formas de prevenção e controle da Endometriose o importante é que seja adotado um deles, através do devido acompanhamento médico, respeitando a vontade, decisão e adaptação de cada mulher.

Partindo do respeito ao nosso próprio corpo e da dádiva que nos foi dada para sermos mães, nós mulheres temos o dever de cuidar bem dele, respeitando seus limites e de nos atentarmos quando ele nos alerta de que algo não está bem, observe-se diariamente, não deixe passar despercebida uma dor, que diante do cansaço e rigidez às sensações, pode ser considerada “normal”. Procure profissionais competentes, fazendo ao menos os exames periódicos e tenha um acompanhamento médico continuo, podendo assim perceber que a Endometriose não deve ser tão temida assim, ela é reversível quando diagnosticada a tempo e os tratamentos não são dolorosos, por isso mais uma vez falo como mulher e portadora, à todas as mulheres: Ame e cuide-se a saúde é vital.

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  1. Adorei o artigo!!! Realmente todas as mulheres devem se prevenir, fazer exames periódicos ao sentir qualquer sintoma, pois a Endometriose é uma preocupação da mulher moderna, principalmente quando se trata de infertilidade, tanto na gestação primária como também na secundária, pois há casos em que casais tiveram facilidade em engravidar pela primeira vez mas não serve como garantia de terem o segundo bebê. Se ouve vários casos que casais encontram dificuldades em engravidar pela segunda vez ou até mesmo levar uma gravidez até o final, umas das causas pode ser sim a Endometriose que pode dificultar a gestação secundária tanto quanto a primária. Parabéns Carla, realmente um assunto de interesse de toda mulher, prevenção é fundamental!
    Bjao

  2. Olá tneho uma dpuvida, tenho dor durante minhas relaçoes sexuais devido a endometriose, tem alguma maneira de eu me livrar dessa dor sem ser a videolaparoscopia? o anticoncepcional contínuo ajuda no retardo da dor?

  3. eu tenho endometriose desdo nascimento do meu primeiro filho, depois de cinco anos tive o meu segundo.mas meu corpo estava estranho, cólicas e dolorosas.então depois do meu segundo,fiz ligadura e tudo piorou muito mas.hoje ja faz 2 anos que não mestruo, não posso que a colica me mata de tanta dor! tomei umas 5 injeções dectprovera pra interromper a mestrução pra mim não sentir dor. mas agora o meu enxasso estar piorando muito, meu cabelo caindo muito e o meu peito saindo leite e dolorido.meu peito estar com glandulas nele. o tratamento estar lento,não posso tomar remedios e tenho que esperar a mestruação vir. estou desisperada..pode estar mais serio o meu caso??. o que devo fazer??.

  4. Bom dia Priscila, espero que estejas melhor! Bom, segundo seu relato, deves procurar o mais rápido possível ajuda de um profissional, acredito que não seja motivo para pensar numa situação fatal de sua vida. A endometriose qdo não tratada desde o início tende a permanecer por toda vida, mas há tratamentos que certamente amenizam essas cólicas, dores e desconfortos. Mas qto a sua queda de cabelo, ao leite…acredito que não tenha alguma relação com a endometriose. Então Priscila, fique calma…tente relaxar usar compressas quentes, na região abdominal…chás tbém aliviam, digo isso, para fazer agora se estás em casa, mas CONSULTE UM PROFISSINAL o mais rápido possível, e faça um acompanhamento constante de seu caso. Cuide-se. Bjs

  5. Já fiz a cirurgia por videolaparoscopia há um mês, mas continuo com dores, principalmente quando vou urinar. As dores são fortes na bexiga e em um dos lados onde foi feito o corte e permanece a dor, pois, além da endometriose, retirei um cisto grande e uma trompa. Para completar dá umas "agulhadas" e meu intestino é muito preso. Isso é normal?

  6. Eu não sei desde quando esta doença foi descoberta, mas desde o incio da minha menstruação tive problemas. Periodos de inesistência menstrual seguido de hemorraria. O quadro se repetiu por 4 anos (14 aos 18). Ouveram periodos de estabilidade e a anomalia se repetia aos menos 1 vez ao ano. Embrra minha vida tenha sido regada a exames hormonais, ultrasons, exames de gravidez, busca por um profissional que identificasse a causa, nada aconteceu. Em 2006 com meus 40 anos, consegui identificar uma endometriose e de brinde uma hepatite C, causada pelas transfusões de sangue, se já não bastasse, no momento da cirurgia de laparoscopia descobriu-se que meu ovário esquerdo estava comprometido. Desde então as dores absudas sumiram, a menstruação continua irregular. Embora esteja com 43 anos, estou com sintomas de menopausa, ondas de calor mas tento controlá-la com tratamentos a base de soja e uva, uma vez que tenho sintomas de uma menopausa precoce. Esse tipo de doença realmente interfere na relação conjugal absurdamente, o que certamente contribuiu para o fim do meu casamento. Me casei atualmente com um profissional da área da saúde. O que contribui significativamente, uma vez que ele compreende e me ajuda a buscar tratamentos e a controlar os sintomas. Também tenho considerado ser uma doença de fundo emocional, psicosomática. Estou investigando!

  7. ola eu tenho Endometriose e estou com uma duvida estou dezesperada por favor me ajude ela causa queda de cabelo intenço me rsrsrsrs o que eu faço para parar????????

    1. Olá Elisana!!
      Obg por participar com o artigo! Primeiro, espero que vc. esteja tratando sua endomentriose e segundo, não tenho conhecimento da mesma causar esse tipo de efeito. Mas volto a ressaltar a importância de se procurar uma pessoa especializada, digo um profissional da área, tanto para sua endometriose como para sua queda de cabelo.

      Maiores dúvidas estou a disposição.

      Grata,

      Carla

    1. Boa noite Lucy,

      Que bom que estás sobre orientação médica, mas não entendi o uso da pílula quando na verdade ela vai impedir a gravidez, então sugiro que questione o seu médico e esclareça todas as dúvidas com ele. A pílula, para os casos de endometriose, auxilia na sua prevenção, talvez seja essa a intenção do médico realizar um tratamento para não surgirem problemas para a fertilização. Volto a enfatizar a importância de questionar o profissional para sanar todas as tuas dúvidas. Abçs, Carla

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