Saúde

Síndrome de Burnout, até quando?

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Poucas vezes nos deparamos para pensar sobre o significado ou simplesmente sobre o que está por trás de cada palavra. Veja a palavra profissão. Se analisarmos bem essa palavra tão falada, podemos observar que ela é parente da palavra professar. Assim, se fizermos uma analogia, veremos que alguém somente professa algo se acredita no que está dizendo não é? Por isso, seguindo essa linha de raciocínio, veremos que o bom profissional é aquele que acredita no que faz, aliás nada mais lógico, pois se ela não acreditar em si mesmo e no seu potencial quem vai acreditar? Tudo isso tem a ver com a difícil associação entre o trabalho e o prazer de trabalhar, que são dois elementos que nem sempre andam juntos.

Muitos já disseram por aí que quando escolhemos uma profissão devemos sempre buscar fazer aquilo de que gostamos, pois quando fazemos o que gostamos, corremos o sério risco de ao invés de trabalhar, nos divertirmos, nos realizarmos, o que seria o ideal, afinal se vermos todos aqueles que são bem-sucedidos profissionalmente seguem mais ou menos esse perfil, ou seja, não trabalham, se divertem e por isso, se realizam e o ganho material acaba sendo uma conseqüência de sua realização e não o objetivo principal. No entanto, para muita gente, para não dizer a maioria, esse papo de trabalhar naquilo que gosta é papo furado. Para esses o que vale é o ganho material, esse sim que proporcionará o verdadeiro prazer.

No entanto, muito poucas pessoas dessa imensa maioria que encara o trabalho como um fardo e que não vê a hora de chegar o fim-de-semana, não percebem o dano que essa mentalidade de “tudo em nome da sobrevivência” causa, inclusive fisicamente. Esse “estrago” é tão sério que levou uma série de estudiosos a desenvolver uma investigação para entender a sua repercussão na vida de uma pessoa. Isso ocorreu em meados dos anos 1970, nos Estados Unidos, quando buscaram explicações para o processo de deteriorização física e psicológica que passavam diversos trabalhadores. Para tentar definir esse fenômeno, denominaram-no como Síndrome de Burnout, que, nada mais seria do que uma síndrome psicológica resultante de tensão emocional crônica no trabalho.

Como a maioria das pessoas passa a maior parte do seu tempo diário no trabalho do que em casa, evidentemente sua ocupação profissional adquire uma importância muito grande nas suas vidas, a ponto de constituir sua própria identidade social. Agora grande parte desses problemas ligados a essa síndrome está diretamente ligada a dois fatores: as condições inadequadas de trabalho e, o mais grave, a insatisfação.

Quem está mais sujeito a sofrer a síndrome?

Quando se fala desse assunto, normalmente a dúvida que fica é se todas as pessoas podem ser vítimas dessa síndrome. Verifica-se que isso varia de pessoa para pessoa. Existem um determinado perfil de pessoas que, por exemplo, gosta de executar trabalhos repetitivos, talvez porque, uma vez aprendido, faz a atividade automaticamente e com isso se sente seguro do que está fazendo. Esse perfil de profissional deseja segurança, e não tem grandes ambições. No entanto, há outro perfil de profissional em que o trabalho repetitivo cria uma insatisfação tão profunda que não se limita a um mero desgosto pessoal, mas acaba abrindo portas para uma série de doenças somáticas.

Nesse contexto, do profissional profundamente insatisfeito pela rotina ou por se submeter a condições inadequadas de trabalho, ou por não ter a autonomia que tanto desejaria para exercer suas tarefas e que, simplesmente não manifesta essa angústia, por medo de perder o emprego, podem adquirir essa síndrome, estão os trabalhadores encarregados de cuidar dos outros – caregivers -, profissionais da área de educação, saúde, policiais e agentes penitenciários, enfim todas profissões que têm um ponto em comum: exigem um contato intenso e constante com muitas pessoas. O resultado desse fenômeno encontra-se no absenteísmo, no abandono do emprego e na baixa produtividade. Afinal, quais são os efeitos físicos que essa síndrome provoca?

Efeitos físicos e emocionais da síndrome

Os efeitos devastadores dessa síndrome são as enxaquecas, dores de cabeça constantes, insônia, gastritre, úlceras, diarreias, crises de asma, palpitações, hipertensão, infecções com maior frequência, dores musculares e/ou cervicais, alergias e suspensão do ciclo menstrual nas mulheres até culminar, em muitos casos, em depressão muito profunda. Já no campo emocional, os sinais são a impaciência, um distanciamento afetivo cada vez maior, o sentimento de solidão e de alienação, irritabilidade, ansiedade, dificuldade de concentração, sentimento de impotência, decréscimo do envolvimento no trabalho, baixa autoestima. Aliás a própria palavra escolhida para definir essa síndrome já dá a exata dimensão da sua gravidade, pois Burnout é derivado da composição de burn que significa queima e out, exterior, ou seja um tipo de estresse que consome a pessoa física e emocionalmente o que a faz apresentar um comportamento agressivo e irritadiço.

O resultado dessa síndrome entre os profissionais da educação

Conforme dissemos anteriormente, uma das áreas em que mais tem sido afetadas por esse mal são os profissionais da área de educação. E esse mal afeta justamente uma das suas principais ferramentas de trabalho que é a voz. As constantes situações de estresse que esses profissionais passam, faz com que desenvolvam uma disfonia, mesmo porque utilizam a voz por muitas horas. Além disso, é sempre bom lembrar que a voz nada mais é do que a expressão da personalidade e reflete também suas emoções. Isso é tão grave que as enfermidades vocais chegam a representar um prejuízo no Brasil de mais de 100 milhões de reais com licenças, afastamentos e readaptações por disfonia.
Para se ter uma ideia como a síndrome de burnout afeta os profissionais da saúde, estudo realizado durante dois anos e financiado pela Confederaçõa Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) com 52 mil educadores em 1440 escolas de 27 estados revelou que 48% dos professores apresentam algum tipo de síndrome, responsável pela exaustão emocional. Grande parte desse contigente, acaba sofrendo um processo de despersonalização, em que tanto os alunos quanto os seus colegas de escola passam a ser tratados de maneira distante e bem friamente, ou seja, a pessoa passa por um endurecimento afetivo. Além disso, passa a ser muito crítica consigo mesmo, autoavaliando-se sempre de forma negativa e demonstra uma insatisfação consigo mesmo em relação ao seu desempenho, ou seja, a pessoa passa se cobrar muito. Isso sem contar é, claro, com as péssimas condições de trabalho existentes em muitas escolas e o fato de lidar com alunos problemáticos, o que faz com que o professor acabe se desdobrando em outros papéis: de psicólogo, pai e etc.

E os profissionais de saúde?

Por mais contraditório que possa parecer, aqueles que lidam com a saúde e que, teoricamente, deveriam saber o caminho para se livrar dessa síndrome também não estão livres disso. Isso ocorre por um motivo muito simples: muitos movidos pela compaixão, a vontade de salvar vidas e a frustração de perdê-las acaba fazendo com desenvolvam a síndrome, ou seja, o próprio ambiente de um hospital já é um foco propício para adquirir esse problema, isso sem contar com as jornadas de trabalho extenuantes e as condições precárias de diversos hospitais.

O que fazer?

Nesses casos, quais são as medidas que devem ser tomadas para reverter esse quadro? No caso dos professores, é considerar os aspectos da realidade do professor, que abrange gestores, alunos, família dos alunos, família dos professores e colegas de profissão. Melhorar suas condições de trabalho e criar um serviço multidisciplinar de atenção à saúde do professor e envolvê-los em programas de combate ao estresse podem, pelo menos, minimizar esse quadro.
Como a síndrome de burnout afeta diversos profissionais, haveria a necessidade de que houvesse uma mudança profunda nos ambientes de trabalho, com a introdução de programas antiestresse. Nesse sentido, não adianta abrir uma academia na empresa, como muitas fazem por aí, sem que haja uma abordagem individual e adaptada à cultura de cada organização.

Esse, no entanto, seria apenas um dos lados da resolução do problema. O outro lado envolve um questionamento muito profundo de cada profissional para saber até que ponto está valendo a pena continuar nesse caminho profissional. Aí o que pode pesar é aquela questão do prazer. Será que ainda tenho prazer em fazer aquilo que faço? Essa deve ser a medida exata para saber se deve prosseguir, apesar dos obstáculos.

Kika - Sou blogueira há 10 anos, dedico a vida a produção de conteúdos sobre beleza e cabelos. Amo, amo, o que faço, por isso... com muito amor <3 compartilho dicas no PatricinhaEsperta e CabelosLoiros. Insta: @blogdakika E-mail: [email protected] Lindona, se gostou, clica na estrelinha acima e vote ;-) Compartilhe com suas amigas. Beijos no coração.

1 Comment

  1. Muito bem, esse era o "empurrãzinho" que eu precisava para decidir sair do meu emprego atual. Digamos que foi " a gota dágua" que transbordou o copo e fez o conteúdo todo derramar pelas suas bordas (risos). De fato, atualmente, estou muito mais feliz e realizado hoje, depois dessa decisão, fazendo o que gosto, produzindo mais e, consequentemente, ganhando muito mais!

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