Saber impor limites e dizer não, em todos os âmbitos da vida, é uma tarefa essencial. Contudo, para muitas pessoas, essa tarefa é imensamente difícil e desconfortável.
As razões para essa “dificuldade” são várias, mas é fato que, culturalmente, as pessoas são estimuladas desde cedo a socializar e “agradar” o outro, costume que acaba arraigado em suas personalidades e piora à medida que o tempo passa, sobretudo na adolescência, fase onde “ser aceito” pelo outro e pelo grupo no qual se está inserido é de importância crucial.
Assim, passam-se anos e a pessoa tende a dizer apenas sim, a aceitar e a fazer concessões para não magoar e não ser rejeitado pelo outro. Sim, porque é fato, também, que um não, que uma negativa, muitas vezes é encarada com maus olhos, sobretudo por quem não possui a generosidade necessária para reconhecer, além das próprias, as vontades, desejos e expectativas alheias. E, como as pessoas querem ser amadas e aceitas, elas sucumbem ao medo de perder a aceitação e o afeto se negarem algo e assim seguem a vida, satisfazendo as vontades alheias e se esquecendo das próprias.
Apesar de ser característico de algumas (muitas) pessoas, a incapacidade de dizer não, que está bastante relacionada com a insegurança, é muito mais comum em relação ao parceiro, ao chefe e aos amigos do que em relação aos familiares, por exemplo, o que é lógico, já que na relação com os familiares existe uma segurança, já que, teoricamente, aconteça o que acontecer, os pais sempre vão amar e aceitar os filhos.
No ambiente profissional, sobretudo entre chefes e subalternos, é difícil dizer não para aquele que é hierarquicamente superior, pois existe o receio do rompimento do contrato profissional, o que incide, principalmente, em quem “depende” apenas daquele emprego.
Mas, é comum também, que colegas se aproveitem dos outros e peça favores constantemente. Dizer não, em todos esses casos, é fundamental. Um gesto de gentileza, de ajudar um colega, é uma coisa, mas se sobrecarregar e se anular pelo medo de ser mal visto é outra completamente diferente.
Quem não aprende a dizer não, costuma alimentar um sentimento de frustração muito grande e, até por isso, é preciso que se entenda que qualquer relação precisa de limites para que a individualidade de cada um seja resguardada.
Não, ser bonzinho não traz, a longo prazo, benefícios. O que se deve ser é equilibrado, dizendo sim ou não de acordo com suas possibilidades e vontades, pois só assim a pessoa é realmente valorizada. Quem não se impõe, e é isso que os “bonzinhos” não fazem, jamais serão respeitados e muito menos valorizados, e é isso que é preciso entender.
Cumpre ressaltar que “se impor” não significa ser grosseiro ou inacessível, ao contrário, quem sabe realmente se impor o faz de forma gentil, mostrando, de forma delicada, as razões da sua negativa.
Existe sim, o risco do outro interpretar a sua negativa de forma ruim, mas esse mal-estar, que tende a ser momentâneo, é mais vantajoso do que dizer sim apenas para agradar o outros e se autoanular.